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Mário de Carvalho e o segredo para estar na moda

Estivemos à conversa com Mário Carvalho que nos falou sobre tendências e sobre o que significa estar na moda.

Mário de Carvalho, de apenas 24 anos, é já uma cara conhecida quando pensamos no mundo da moda em Portugal.

O seu percurso neste universo começou aos 13 anos como modelo e, mais tarde, trabalhou no atelier do designer Filipe Faísca.

Estudou jornalismo, tirou uma pós-graduação em Marketing de Moda e um curso de styling.

Agora, é responsável por fazer brilhar caras conhecidas como Sharam Diniz, Oceana Basílio, Paula Lobo Antunes, Rita Ferro Rodrigues, entre muitas outras, e trabalha com a revista Activa.

Nesta edição da ModaLisboa, esteve como repórter da revista e desfilou para a Duarte Brand.

Mário Carvalho: "é o nosso conforto acima de tudo e acima de qualquer opinião alheia"

No meio de uma agenda tão cheia, o Mário ainda conseguiu estar com a Betrend e falar-nos sobre o que foi apresentado e visto na ModaLisboa Collective.

1. Terminou mais uma edição da Moda Lisboa. Quais os highlights que destacas desta 53ª edição?

Estive muito atento ao street style, porque o meu trabalho nesta edição assim o exigiu, e não é por me ter sido uma temática próxima, mas acho que as questões de género, a moda No Gender, foi de facto um highlight desta edição.

Focando-me no street style, podemos ver pessoas a ousar sempre, mais e mais e mais, dentro da temática No Gender, mas nunca tentando ser mais do que a sua própria idiossincrasia.

Eu, pelo menos, fiquei muito com essa ideia sempre que entrevistava as pessoas, elas eram aquilo e a ModaLisboa este ano deu-lhes a possibilidade de o mostrar.

Acho que não há nada que chegue a isso, termos uma plataforma que nos permite sermos nós próprios.

Por isso, o maior highlight e maior aplauso desta edição da ModaLisboa vai para essa liberdade que deu tanto para os criadores, como para a assistência.

2. Queremos saber: o que será usado na próxima estação?

Olhando para todos os desfiles que assisti (e não foram poucos!), aquilo que eu destaco mais é cor. Vi muito pouco preto e branco e vi muita cor, aliás vi uma explosão de cor. Desde rosa, ao verde, ao azul – nas mais diversas tonalidades – até ao néon.

Se nós obedecermos àquilo que a semana de moda nos apresenta, então vamos andar bastante coloridos na próxima estação.

3. O que nos podes dizer mais acerca das cores?

Tal como disse, o grande destaque desta edição foi a cor, portanto não acho que exista um entrave, nem nenhuma cor específica para a próxima estação.

Acho que vamos poder usar tudo e mais e alguma coisa e que vamos deixar de parte (finalmente!) o preto e o branco.

4. Em que época se inspiraram as tendências apresentadas?

Se falarmos novamente de cor, remete-me, automaticamente, para os anos 70, para a década de 90 e entrada dos anos 2000.

Foram ambas décadas da moda, onde a cor explodiu, onde também houve uma grande ousadia em experimentação de cortes, de tecidos...

Portanto, esta ModaLisboa pareceu-me um pouco retalhista nesse sentido, em que conseguimos juntar décadas tão distintas da moda, e conseguimos fazer desta edição uma mistura entre os anos 70 e os anos 90.

5. Quais são as peças que podemos reciclar no próximo ano?

Acho que vamos poder reciclar tudo o que ainda é oversized. Ainda vamos andar muito pelo boyfriend size, oversized, mom jeans...

No que diz respeito às mulheres, vamos usar muitas rachas e muito menos decotes. Tudo aquilo que for proporcionalmente exacerbado ainda vamos conseguir reciclar.

6. Quais são as peças que ficam de parte no nosso guarda-roupa?

As peças que ficam de lado, que ao mesmo tempo acho que são peças que nunca podem ficar de lado, são as peças pretas e brancas.

Porque eu diria para fazermos aqui um jogo inverso. Uma vez que a ModaLisboa nos apresentou peças tão coloridas, acho que poderíamos tentar fazer das peças com cor os nossos básicos e completá-las com preto e branco, ou seja, o contrário do que estamos habituados a fazer.

Esta ModaLisboa dá-nos a permissão para que façamos este jogo contrário. Ou seja: o preto, o branco e o bege sejam então os apontamentos sobre a cor.

7. Que dicas podes partilhar connosco para adaptarmos as tendências ao nosso dia a dia?

Eu acho que a dica foi partilhada na última resposta, acho que devemos e podemos arriscar neste jogo de cores que é bastante interessante e feliz. Porque, para mim, a cor traz sempre boa energia!

8. Há algum segredo para estarmos sempre na moda?

Não acho que exista um segredo para estar na moda. Mas sim que existe um amplo espaço de conforto para que nos possamos sentir, acima de tudo, bem!

Portanto, esse é o truque, se estamos bem, se estamos felizes, se nos sentimos bem na nossa pele, então isso é tudo aquilo que importa.

Esse é o maior e melhor segredo para que estejamos na moda, é o nosso conforto acima de tudo e acima de qualquer opinião alheia.